Aprendizagem socioemocional ajuda a lidar com adversidades da quarentena

Habilidades como autocontrole, empatia e decisões responsáveis auxiliam a aceitar as emoções e a compreender melhor como cada um pode agir para o bem de todos

A pandemia do novo coronavírus tem exigido a adoção do distanciamento social para conter a crise de saúde pública. Com as notícias sobre o avanço da doença, a mudança da rotina e o afastamento da escola e dos colegas, os estudantes podem ter sentimentos negativos, como medo, angústia e ansiedade. Nesse contexto, as habilidades socioemocionais são importantes aliadas no cuidado com a saúde mental.

“Estamos passando por uma situação inteiramente nova e para a qual ninguém estava preparado. Além disso, não dispomos de uma resposta imediata sobre até quando esse período vai durar, o que aumenta a ansiedade. Mas precisamos entender que é natural ficarmos ansiosos nesse momento e aceitar esse sentimento”, diz Fernanda Morais Silva, professora de educação socioemocional do Colégio Mater Amabilis.

Ela sugere não se culpar quando se sentir ansioso, pois aí seriam duas emoções desagradáveis, a ansiedade e a culpa; e tentar viver um dia de cada vez, para não pensar no futuro dominado pela emoção do presente. Exercícios de respiração, meditação e atividades físicas também podem ajudar nessas horas.

Além do autocontrole, as decisões responsáveis e a empatia também são fundamentais nesse período de quarentena, para que cada um entenda a sua participação no grupo familiar e como pode contribuir para o bem de todos. “É difícil dividir o espaço e é normal haver atritos durante essa convivência intensa. Mas, pequenas atitudes podem fazer a diferença, como ajudar os irmãos nas tarefas da escola, ouvir os pais ou simplesmente se dispor a ficar junto. Ao sentir que estamos fazendo algo, isso ajuda a combater as emoções desagradáveis.”

A educadora também ressalta que o isolamento não significa solidão. “Estamos afastados dos amigos e do convívio social, mas é importante criarmos momentos para interagir com as pessoas, como videochamadas, jogos online e telefonemas”, diz Fernanda. Ela ressalta que esse tipo de interação difere da comunicação via redes sociais, pois exige muito mais atenção e dedicação às pessoas. 

Outra fonte de ansiedade na quarentena, segundo ela, é a busca excessiva para ser produtivo num mundo que está em colapso. “Se a gente fizer o básico, já está bom. Não adianta querer ser na quarenta quem não somos na vida real.”

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